Por mais que muita gente não aceite, a música sertaneja é a mais tocada
no Brasil. Seja nas rádios, nas baladas, em festas particulares ou em botecos
bem sujos. Em qualquer canto do País há alguém ouvindo a tão conhecida
"música de corno". Mesmo quem não consome (no caso ouve) esse tipo de
melodia, certamente já soltou a voz para bancar o Xororó em algum karaokê.
Em 2012, fiz um estudo para entender o que faz uma pessoa ouvir a mesma
rádio todo santo dia. E percebi que as emissoras cujo público-alvo são as
classes C, D e E lideram as pesquisas sobre audiência. Logo, a maioria dos
brasileiros escuta música sertaneja. Afinal é esse ritmo, ao lado do pagode,
forró e funk que predominam nas programações das “rádios populares”.
Com 24 horas de atraso assisti ao comentário do Zeca Camargo. Ele tentou
fazer uma reflexão sobre a comoção nacional - e foi mesmo - em torno da morte
de um cantor sertanejo desconhecido para um naco da sociedade até então.
Li todo o tipo de comentário - a favor e contra. Em certo ponto, ele tem
razão. O Brasil carece de ídolos RECENTES. Afinal, seria uma burrice dizer que
o Pelé ou Roberto Carlos não são expoentes nacionais - apesar de os dois já
terem sido alvo de críticas e piadas por parte da mídia e da população em
geral. Mas, vamos pensar um pouco: há alguém no meio artístico ou esportivo que
consiga cativar todos os grupos da sociedade, como fizeram Senna, Cazuza, Tim
Maia, Renato Russo, Elis Regina, Ronald Golias e tantos outros?
Claro que existem os ídolos “segmentados”. No esporte, no jornalismo, no
cinema, na culinária, na política, etc... Certamente quem escutava sertanejo sabia
quem era o Cristiano Araújo. Eu sabia. Fui num show dele, aliás. Em 2011,
quando passei o Ano Novo em Minaçu, Goiás, na casa de um tio meu. Mas, adiante.
Quem não era, digamos, antenado naquele universo não sabia que Cristiano Araújo
fazia tanto sucesso assim. E isso é um problema? Não. Ninguém é obrigado a
saber tudo sobre todos os assuntos. Cada um ouve o que quer, oras.
O grande problema é que na maioria de casos como esse, as pessoas “desdenham”
da importância do sujeito. E isso já ocorreu milhares de vezes. Não é
exclusividade do falecido. Mas, só nos deparamos com isso agora por causa das
redes sociais, esse canhão de opiniões difusas e confusas. E talvez o Zeca
Camargo tenha caído nessa arapuca. De relativizar um assunto que, querendo ou
não, ocupou as manchetes dos telejornais país afora. E virou até pauta de
reportagens, sobre a segurança de veículos importados, o uso – obrigatório – do
cinto de segurança no banco traseiro, e por aí o vai.
O que percebi com esse causo todo é que ainda não pensamos muito na dor
alheia. Por um instante, até sentimos aquele baque. Mas logo em seguida tudo
passa e ficamos à espera do próximo caso de comoção. É óbvio que temos que “seguir
com nossas vidas”. Porém, simplesmente “dar de ombros” para o que ocorreu,
pensar que “ele (a) não era ninguém” demonstra uma pobreza de espírito muito
grande.