sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Mais do mesmo

Após assistir ao debate no site da Globo, concluí: "ainda bem que fui encontrar meus amigos e jogar conversa fora". Novamente um show de acusações, de mentiras, de erros de português, de falta de respeito. Enfim, o embate foi mais do mesmo. Até a mídia fez o papel dela - e vamos combinar, um puta papelão. Encerrado de vez o jogo eleitoral, resta a opção de uma maioria, que será decidida no próximo domingo (26).

Em mais de três meses, nenhum dos dois "finalistas" quis se debruçar nos problemas que assolam esta terra. Mas não entraram de cabeça, pois não têm cérebro. Não conseguiram medir a insatisfação de uma boa parte da sociedade, tampouco propor soluções práticas e comprovadamente eficazes para reduzir a descrença do povo nas instituições que o representam.

Nada de cultura. Nada de saúde. Nada de educação. Nada de economia popular. Nada de porra nenhuma mesmo.

Mas nós merecemos essa enxurrada de falas abstratas mostrada todo santo dia na TV. Esse blá-blá-blá eleitoral. Merecemos porque nós, cidadãos, também não somos capazes de raciocinar. O discurso do ódio - adotado em ambos os lados. O do "nós x eles", também usado nos dois fronts, e tantos outros cegaram a sociedade. E transformaram a disputa eleitoral num racha. Onde o que vence sai vangloriado, e quem perde é humilhado. E assim o será no domingo.

O pleito deste ano serviu também para escancarar uma coisa: as manifestações de 2013 foram um ponto fora da curva; algo efêmero, fugaz. O Brasil de hoje, e o de 2013, 2012, 2011...é uma nação rachada. E Dilma e Aécio se esforçaram ao máximo para mostrar essa fenda, nua e crua. Em carne viva. Ambas as falas dos presidenciáveis denotam tal ação. E quando os brasileiros perceberam isso, já era tarde demais. A cegueira coletiva estava impregnada, e perda de raciocínio consumada.

E quatro anos não serão suficientes para juntar as duas partes do Brasil. Perdemos todos. Mas essa derrota só iremos perceber quando a ressaca eleitoral passar, independente de que for eleito. Vai demorar para surgir um novo líder que possa puxar pela mão os dois Brasis e, aí sim, mostrar o caminho do desenvolvimento e igualdade social. Até lá, tudo o que você ouvir será um monte de frases feitas.

E qual a consequência disso? Viveremos numa terra onde as pessoas só se preocuparão com a sua imagem, com o seu status. Afinal, você é o que tem, não é mesmo? Foda-se o outro. Onde o indivíduo não respeita normas básicas no trabalho, no trânsito, em locais públicos, em locais privados, em casa ou sei lá onde. Continuaremos neste país rachado, onde o "você sabe com quem está falando?" é muito mais importante do que simples gestos. Enfim, não podemos cobrar de uma nação o que não conseguimos extrair de nós mesmos. Não podemos pedir um país novo se hábitos antigos e, sobretudo, imorais e ilegais forem praticados pelo povo que o habita.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Os derrotados

Não sou cientista político, tampouco marqueteiro. Mas posso afirmar, sem medo de errar, quem foi o maior derrotado no debate promovido por um "pool" de veículos de comunicação (SBT, Uol e Jovem Pan): o eleitor. Em 23 anos de vida nunca assisti (no caso ouvi pois estava no trabalho) um evento de tão baixo nível. Dilma Rousseff  e Aécio Neves partiram, desde o início, para o ataque moral. Um tentou desqualificar o outro, SEMPRE, e ambos deixaram de lado a premissa principal: apresentar PROPOSTAS para MELHORAR a vida da POPULAÇÃO.

Se eu estivesse na pele do Carlos Nascimento, que mediou o debate, sentiria vergonha de estar no meio de dois pretendentes à Presidência da República que são inferiores ao povo brasileiro. Dilma e Aécio protagonizaram uma baixaria em rede nacional. Aliás, Nascimento foi quem propiciou o melhor momento do debate: ao pedir que a plateia se comportasse, afinal aquilo "não era um programa de auditório" - e olha que nisso o SBT é mestre.

A postura das claques de PT e PSDB no estúdio do SBT lembra a de uma torcida que comemora um chutão do zagueiro mais grosso, desprovido de talento. Aplausos para respostas que não esclareciam em nada os problemas do brasileiro. Pior foi ver esse aplauso se "espalhar" nas redes (anti) sociais.

Saúde, educação, meio-ambiente, cultura. Nenhum desses assuntos foi tocado. Só o que o governo A fez, e o que o governo B deixou de fazer. Corrupção pra lá, nepotismo pra cá. E nada de propostas. Nada que esclareça a opinião - e sobretudo - a decisão do eleitor. A ideia das duas campanhas é elevar a rejeição do rival, e assim o avanço no debate político é reduzido a pó.

Não houve vencedor no debate. E sim 200 milhões de derrotados.